Uma análise sobre glamour, romantismo gótico e estratégia de imagem no cinema contemporâneo
Nos últimos anos, poucas atrizes conseguiram transformar o tapete vermelho em um verdadeiro espetáculo global como Margot Robbie. Cada aparição pública durante suas turnês promocionais se tornou um evento midiático, analisado por críticos, fãs e especialistas em moda.
Por trás dessa construção estética está sua parceria com o stylist Andrew Mukamal, responsável por traduzir personagens cinematográficos em imagens icônicas. Juntos, eles consolidaram um modelo em que moda, cinema e marketing caminham lado a lado.
Duas fases marcaram essa trajetória recente: a estética vibrante de Barbie e o romantismo gótico de Stormy Pass. Ambas revelam não apenas versatilidade, mas uma estratégia visual altamente sofisticada.
Durante a divulgação de Barbie, Margot Robbie apresentou uma das performances visuais mais marcantes da moda contemporânea. A proposta foi reinterpretar os visuais clássicos da boneca em versões luxuosas e atualizadas.
Seus looks foram marcados por:
Tons intensos de rosa;
Vestidos mini e silhuetas ajustadas;
Tecidos brilhantes, lantejoulas e vinil;
Jaquetas estruturadas;
Acessórios maximalistas.
Cada produção remetia diretamente a uma versão histórica da Barbie, criando identificação imediata com o público.
Na beleza, o mesmo cuidado: ondas de Hollywood, cachos polidos e maquiagem iluminada reforçavam o ideal de perfeição, feminilidade e fantasia.
O resultado foi uma estética hiperfeminina, nostálgica e altamente fotogênica, que dominou redes sociais, capas de revistas e portais de entretenimento.
Em contraste absoluto, a turnê de Stormy Pass revelou uma Margot Robbie mais introspectiva, elegante e dramática. Aqui, o brilho deu lugar à profundidade emocional.
Os principais elementos dessa fase incluíram:
Vestidos sob medida de alta costura;
Tecidos densos, como veludo e seda pesada;
Paleta escura (preto, vinho, verde profundo, cinza);
Bordados delicados;
Silhuetas longas e estruturadas.
A inspiração vitoriana e gótica trouxe referências literárias, históricas e artísticas, criando uma imagem mais madura e sofisticada.
As joias, muitas vezes com pedras preciosas, funcionavam como peças narrativas. Já a maquiagem tornou-se mais neutra, com foco na naturalidade, enquanto os cabelos apresentavam texturas menos perfeitas e coques desconstruídos.
Essa escolha comunicava sensibilidade, mistério e profundidade — elementos centrais da proposta do filme.
Apesar de visualmente opostas, as duas estéticas seguem a mesma lógica: transformar a imagem da atriz em extensão da obra cinematográfica.
| Barbie | Stormy Pass |
|---|---|
| Pop e vibrante | Gótico e sóbrio |
| Tons claros | Tons escuros |
| Nostalgia lúdica | Drama histórico |
| Brilho e glamour | Elegância contida |
| Perfeição estética | Imperfeição calculada |
Essa coerência fortalece o impacto da divulgação e amplia o engajamento do público. A moda deixa de ser apenas figurino e passa a ser linguagem narrativa.
O caso de Margot Robbie demonstra como, no entretenimento contemporâneo, a atuação vai além das telas. A atriz construiu uma identidade visual consistente, reconhecível e altamente valorizada pelo mercado.
Sua parceria com Andrew Mukamal evidencia:
Planejamento estratégico de imagem;
Integração entre cinema, moda e mídia;
Consistência estética;
Fortalecimento da marca pessoal.
Esse modelo influencia outras celebridades e redefine o papel do tapete vermelho como espaço de storytelling.
A comparação entre as turnês de Barbie e Stormy Pass revela muito mais do que mudança de estilo. Ela mostra como moda, narrativa e identidade podem se fundir para criar experiências culturais completas.
Do glamour pop ao romantismo gótico, Margot Robbie consolidou-se como um dos maiores ícones estéticos de sua geração. Suas aparições públicas não apenas divulgam filmes, mas constroem memória, tendência e impacto cultural.
Para o público brasileiro, essa trajetória reforça o poder da imagem como forma de expressão artística e comunicação global — um fenômeno que vai muito além da moda.